A vantagem e o sofrimento dos nativos digitais

No mundo atual tudo tem se desenvolvido e atualizado de forma exorbitantemente rápida. É comum vermos crianças bem pequenas, de 4 ou 5 anos, ensinando os pais a utilizarem equipamentos eletrônicos, ou até mesmo conceitos como “armazenamento na nuvem” e “criptografia nas redes sociais ”, por exemplo. 

Um fato relevante para qualquer discussão neste sentido é que entre a descoberta do fogo, a criação da roda, o desenvolvimento da escrita e a primeira revolução industrial passaram-se MILHARES de anos. O mundo tecnológico evoluiu de uma forma extremamente importante, porém essa evolução ocorreu aos poucos, geração após geração. 

Já a partir dos anos 90 esta evolução acelerou-se em velocidade extrema, o mundo iniciou sua jornada no sentido de se tornar quase que totalmente digital. Tudo rápido, conectado, digital, abstrato. 

O mundo mudou em todos os sentidos, a forma de comprar, a forma de aprender, a forma de pesquisar, tudo mudou. Tornando-se cada vez mais acelerado. 

Os nascidos antes de 1990 em sua maioria, tendo que correr atrás de se adaptar a toda essa tecnologia e crianças nascendo no meio de todo esse movimento. 

Crianças estas que já nasceram conectadas, ligadas às telas. Estas são as crianças do futuro! 

Se nós nos perguntarmos quem será capaz de criar carros voadores e 100% autônomos, escolas do futuro com aprendizado gameficado* e totalmente interativo, ou robôs medicamentosos que salvam vidas com taxa de erro baixíssima ou nula, podemos dizer que são estas crianças que já nasceram inseridas em uma nova programação mental, cheia de algoritmos e totalmente abstrata. 

Estas crianças já nasceram sendo programadas a pensar de forma diferente, aprender de maneira rápida, com muito estímulo visual e auditivo, desafios e recompensas quase que instantâneas. 

Mas será que essa revolução é totalmente positiva para as nossas crianças? 

Toda esta rapidez envolvida tanto nos processos quanto na recompensa, tem tornado toda a sociedade cada vez mais agitada, mais ansiosa.

As crianças da geração ALPHA, nativos digitais não suportam o tédio, querem estímulo o tempo todo, tem grande dificuldade em aceitar falhas pois vivem em um ambiente totalmente exigente que não aceita erros e seleciona os melhores entre os melhores. 

Estar em primeiro no ranking do jogo online com participantes do mundo todo, ou ter o perfil mundialmente mais curtido passaram a ser preocupações dos indivíduos na sociedade atual. E com isso a sensação de nunca ser bom o suficiente, com isso a busca eterna e perturbadora por mais, sem ao menos saber o que é esse “mais”. 

Na infância, ansiedade, depressão e até suicídio passaram a ser temas de preocupação para os pais e para os profissionais. Uma realidade dolorosa e que tem sido ocultada em meio a tanto desenvolvimento tecnológico e industrial. 

O desenvolvimento tecnológico é maravilhoso, engrandecedor e necessário, não sendo ele o grande problema da humanidade. O problema é só se desenvolver tecnologicamente, nossas emoções não atuam com algoritmos, elas atuam com olhares, abraços, e entre milhares de fatores com o cuidado. 

Precisamos cuidar e desenvolver os aspectos emocionais das nossas crianças, desde o reconhecimento de cada emoção e sentimento, até todas as possibilidades de ascensão que elas podem alcançar. 

Precisamos entender que nós não somos máquinas, e que nosso principal combustível é o amor e o cuidado, que tabletes não são chupetas que enfiamos nas bocas das crianças para que elas parem de chorar. Precisamos ser cada vez mais humanos, para que, de maneira saudável, possamos ser cada vez mais tecnológicos. 

Criar os filhos nesta era é um desafio, uma missão que precisa de muito amor, cuidado, paciência e sabedoria. Mas você não precisa estar sozinho nesta missão, quando perceber dificuldades ou se sentir impotente com relação a tudo de ruim que o mundo oferece, busque ajuda! Sempre haverá um profissional apto a lhe auxiliar. 

*gameficado: baseado em games/jogos. 

Quem ama cuida. 

Autor: Carolina Teixeira Bertti – Psicóloga Infantil – CRP 06/149000 
WhatsApp (11) 98206-8024
E-mail: contato@carolpsicologia.com.br

Como lidar com as mentiras?

Um ponto crucial para iniciarmos uma discussão a cerca das mentiras da criança é esclarecer o motivo de a criança  contar mentiras. 

Alguns pais me procuram no consultório extremamente preocupados pois seus filhos mentem contando histórias super elaboradas e se mantém firmes em suas mentiras mesmo quando pressionados pelos pais. 

Os pais então se preocupam se seu filho se torne um adulto mentiroso e dissimulado. 

Isso porque nós tendemos a olhar para a mentira da criança da mesma forma como nós conhecemos as mentiras dos adultos: ações feitas com maldade na intenção de obter benefícios para si próprio. 

Mas no caso das crianças não é bem assim, a criança muitas vezes se vê em um conflito entre o que ela quer ou o que ela fez e o que ela pensa que o adulto quer, neste momento então ela cria histórias fantasiosas na intenção de obter o que ela quer sem desagradar o adulto. 

Na maioria dos casos, esse é o grande ponto da mentira da criança, precisamos analisar que ela não o faz por maldade ou por falta de caráter, mas sim por insegurança, sempre com a intenção de agradar o adulto e ser aceita. 

Um exemplo disso é quando a criança chega da escola e os pais perguntam se ela se alimentou e comeu todo o lanche e ela diz que sim, mas ao olhar a lancheira os pais veem que o lanche está lá e intacto. A intenção da criança não era de enganar os pais para não comer, mas sim de não decepcionar os pais que gostariam que ela comesse. 

Ainda assim, as mentiras continuam sendo mentiras e por isso a criança deve ser ensinada a não ter mais essas atitudes, num processo brando e amoroso.

Em situações como essa do lanche por exemplo os pais podem falar para o filho que sabem que a criança quer que eles fiquem felizes e por isso ela disse que comeu o lanche, mas que isso não é legal, que os pais perguntam pois se preocupam e precisam saber realmente o que aconteceu. Fazendo com que aquele momento não se torne um martírio para a criança e nem um castigo para que ela se sinta culpada mas sim um momento de ensinamento.

É muito complexo para a criança ainda em desenvolvimento compreender seus sentimentos, ainda mais com tantos conflitos sociais que a criança passa a vivenciar, mas cabe aos pais ensina-lá e mostrar a ela o que ela está sentindo e como se comportar. O carinho e a compreensão são o caminho para o sucesso nesta tarefa. 

A criança está formando sua personalidade e os pais devem estar atentos, em casos mais graves onde as mentiras se tornem rotineiras ou atrapalhem a sociabilização da criança, busque a ajuda de um psicólogo infantil, estaremos sempre dispostos a lhes ajudar.

Quem ama cuida.

Autor: Carolina Teixeira Bertti – Psicóloga Infantil – CRP 06/149000 
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E-mail: contato@carolpsicologia.com.br

Por que evitar o “NÃO” para crianças muito pequenas?

A maturação cerebral ocorre desde a gestação até mais ou menos os 25 anos de idade, e este processo ocorre primeiramente nas áreas mais internas do cérebro e depois passa para as áreas mais externas.

O córtex pré-frontal uma parte do nosso cérebro responsável pelas funções executivas, ou seja, ações de execução como planejamento, flexibilidade, resolução de problemas, entre outras habilidades.

Quando escutamos comandos negativos como por exemplo “NÃO PULE”, nós escutamos a ação “PULE” e uma negativa anterior “NÃO”, o nosso córtex pré-frontal então percebe que existe um bloqueio e compreende que deve parar aquela ação.

Mas as crianças muito pequenas até mais ou menos os 5 anos ainda não tem o córtex pré-frontal totalmente formado, por este motivo quando elas escutam “NÃO PULE” o cérebro tem um grande conflito para resolver, e acaba dando prioridade aos comandos de ação, é como se a criança escutasse somente “PULE”.

Demonstração da localização do córtex pré-frontal.

Muitos pais tendem a pensar que a criança é teimosa ou desobediente, porém a realidade é que existe uma imaturidade neurológica que impede a criança de compreender o estímulo do ambiente, e ela acaba fazendo apenas a ação que lhe parece mais conveniente.

Uma boa dica é utilizar sempre comandos positivos, ou seja, ao invés de dizer “NÃO PULE” para uma criança diga “PARE” ou “FIQUE PARADO”, assim você terá uma chance muito maior de que o cérebro da criança compreenda seu pedido sem grandes conflitos e a criança possa te entender e obedecer.

Mesmo para as crianças maiores a partir dos 5 anos e já com o córtex pré-frontal um pouco mais desenvolvido é ideal que utilizemos comandos positivos, pois ainda é mais fácil para a criança compreende-los, então ao invés de dizer por exemplo “NÃO FAÇA BAGUNÇA” diga “DEIXE TUDO ARRUMADO”, perceba que estes comandos são mais complexos que os anteriores referentes ao pulo, por isso ideais para as crianças um pouco maiores.

Devemos respeitar a maturação cerebral de acordo com cada idade e faixa do desenvolvimento, e ainda assim estimular e ajudar os nossos filhos a se desenvolverem. Em casos de dificuldade ou que os pais não estejam sabendo a melhor forma de estimular os filhos a serem desenvolvidos e obedientes procure um psicólogo, estaremos aqui para lhe ajudar nessa jornada.  

Quem ama cuida.

Autor: Carolina Teixeira Bertti – Psicóloga Infantil – CRP 06/149000 
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E-mail: contato@carolpsicologia.com.br